Santa Maria Madalena

Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26, 13)

Santa Maria Madalena1

Os Santos Evangelhos referem-se a uma Maria pecadora (Lc 7, 36-50), a uma Maria irmã de Marta e Lázaro (Lc 10, 38-42, Jo 11), e a uma Maria Madalena. Os Padres gregos entendem que elas são três pessoas distintas. Os Padres latinos, entretanto –– desde Tertuliano, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório Magno, até São Bernardo e Santo Tomás de Aquino –– reconhecem nas três uma e mesma pessoa: a Santa Maria Madalena penitente, que seguiu Nosso Senhor durante a Paixão.

Baseados nesta autorizada opinião, que foi adotada pela Igreja, seguiremos os traços da vida de Santa Maria Madalena –– cuja festa é celebrada a 22 de julho –– seguindo os Santos Evangelhos e as várias tradições que chegaram até nós.

Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Luc. 7,47- Mar. 16,9).

Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus.  Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26,13) E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena.

 

As três Marias e Santa Maria Madalena

 

O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Além disso ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas.

São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos.

Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos.”E Lázaro (…) era seu irmão.”(Jo. 11, 1-2).  Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. “Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos” durante um banquete do qual Jesus participava.

 

Ela escolheu a melhor parte…

 

“Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.” (Luc. 8,2)

Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou. (Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida.

Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importância ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.” (Luc 10, 38-42)

Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta:

“Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38)

 

Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria!

 

Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena.” (Mat. 27, 55-56)  É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado.  No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena.”(Jo. 19,25).

 

Frutos do Amor a Deus

 

O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios.(Mar. 16-9)

Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo”(Mat. 27,61).  No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações.

 

“‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabôni!’ (Jo 20,16)

 

Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado.

“Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mat. 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20:1-18).

Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço.

A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discípula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior.

 

Maria Madalena nas Gálias, segundo a tradição

 

Mais tarde, depois do martírio de Santo Estevão, de acordo com os Atos dos Apóstolos desencadeou-se uma perseguição tão violenta dos judeus contra os cristãos em Jerusalém, que todos os fiéis, com exceção dos Apóstolos, se retiraram da cidade para a Judéia e a Samaria. O que leva a supor que também Maria Madalena e seus irmãos saíssem da Cidade Santa dirigindo-se para a Galileia. Quando a perseguição cessou, voltaram eles para Jerusalém, onde permaneceram até o ano de 45, mas houve uma segunda grande perseguição. São Pedro partiu então para Roma, e a Virgem Santíssima foi conduzida por São João Evangelista a Éfeso. Os Padres gregos afirmam que para lá foi também Santa Maria Madalena, tendo morrido e sido enterrada naquela cidade.

Mas outra tradição, não menos vigorosa, afirma que ela e seus irmãos, mais alguns outros cristãos, foram presos pelos judeus em Jerusalém e colocados no mar num barco sem remo, sem leme, e sem as mínimas condições para navegar, a fim de perecerem num naufrágio. Alguns afirmam que São Maximino, um dos 72 discípulos do Senhor, e Sidônio (o cego de nascença de que fala o Evangelho, e que foi curado por Nosso Senhor) e mesmo José de Arimatéia sofreram a mesma sorte.

Entretanto, o barco dirigiu-se milagrosamente para a Sicília, e de lá para a França, chegando finalmente a Marselha, que era então um dos principais portos das Gálias.

São Maximino foi bispo de Aix, e São Lázaro encarregou-se da igreja de Marselha. Santa Marta reuniu em Tarascão uma comunidade de virgens, e Maria Madalena, depois de ter trabalhado eficazmente na conversão dos marselheses, retirou-se para viver na solidão, refugiando-se numa gruta que se encontra na igreja de São Vítor, em Marselha. Mas, como não julgasse tal lugar suficientemente recolhido, afastou-se para uma montanha entre Aix, Marselha e Toulon, “La Sainte Baume” (a Santa Montanha ou Santa Gruta), como dizem os habitantes do lugar. Lá permaneceu cerca de trinta anos, levando vida contemplativa e penitencial.

Enfim, estando para morrer, os anjos levaram-na para junto de São Maximino, de quem recebeu os últimos sacramentos, entregando sua alma a Deus. Seu corpo foi então, segundo a tradição, levado para um povoado vizinho –– a Villa Lata, depois São Maximino –– onde esse bispo havia construído uma capela.

No século VIII, por temor dos sarracenos, suas relíquias foram trasladadas para um lugar seguro, tendo ficado esquecidas até que Carlos II, rei da Sicília e Conde da Provença, as encontrou em 1272. Entretanto, a urna de Santa Maria Madalena desapareceu no século XVI, durante as guerras de religião entre católicos e protestantes.

No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho. Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens.

Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela.

 

Reflexão

 

Santa Maria Madalena representou o estado puramente contemplativo, destacado da vida ativa. E, pelo seu grande arrependimento, pela sua fidelidade ao pé da Cruz, e pelo fato de ter sido a primeira que teve notícia da ressurreição do Redentor, ela passou a simbolizar não apenas a contemplação, mas a penitência, a penitência na sua glória, no estado do maior perdão e da maior intimidade com Nosso Senhor.

A pura contemplação e a renúncia das coisas devido às quais ela pecou, levada ao último extremo, são o próprio da penitência. Quem pratica a verdadeira penitência não se limita a separar-se daquilo que o conduziu ao pecado; ele o execra. E por isso coloca, entre aquilo por onde pecou e si mesmo, a maior das distâncias.

Para praticar essa penitência tão grande, convinha a Santa Maria Madalena separar-se completamente do mundo. E não ficar apenas no estado de uma vida contemplativa e ativa, mas levar vida puramente contemplativa, em que tudo foi abandonado, e qualquer forma indireta de contato com a matéria execrada devido ao pecado foi também cortada; assim, não lhe restava outra coisa senão a contemplação. Contemplação que, nascida da penitência e do desapego, faz compreender a excelência das coisas do Céu, e que todas as coisas da Terra foram feitas para as do Céu. Portanto, era justo e bom derramar unguento nos pés sacrossantos de Nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo quando houvesse pobre que precisasse de esmola. Santa Maria Madalena, rogai por nós. Amém!

 

Fonte:

 

http://www.arautos.org/especial/28131/Santa-Maria-Madalena.html

http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=E14158C6-3048-313C-2E6FEE46A9AA5573

http://santossegundojoaocladias.blogspot.com.br/2013/03/santa-maria-madalena.html

Grifos Nossos

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: