Santa Maria Goretti

Santa Maria Goretti1

Nascimento

 

Santa Maria Goretti nasceu em 1890, em Coriolano, Itália. Sua breve existência foi iluminada pela amizade com Jesus e por um terno amor a Nossa Senhora.

Após ter sido ferida mortalmente em uma tentativa de violência sexual, teve uma visão profunda do sentido da vida e da eternidade e perdoou seu agressor: “Eu o perdoo, por amor a Jesus, e o quero no Paraíso”. Isso deixa transparecer uma intensa vida de fé, esperança e amor como resposta à obra do Espírito, que fez dela uma obra-prima.

Ficou órfã de Pai aos nove anos, vítima de injustiças grandes e pequenas. Muitas vezes era incompreendida pela própria mãe, a qual ela amava do fundo de sua alma. Qual a sua reação? Confiança imensa no Pai: “Sobreviveremos, sobreviveremos…Deus vai nos ajudar”. (p.29)

 

Bons exemplos de Santa Maria Goretti

 

Estava sempre muito pronta para servir e amar a todos. Testemunha sua mãe: “Fazia as compras e fazia isso muito bem…Também cozinhava, e cozinhava bem”. (p.26)

Era sempre ela quem ia para a horta, porque não se recusava. Servia-se sempre por último, após ter dado a porção de cada um. Quando sua mãe observava que ela comia pouco (e, naquele tempo, a fome era grande!), dizia: “Mamãe, come a senhora, pois precisa para trabalhar.”… (p.26)

Não escolhia a quem amar: amava a todos aqueles que Deus lhe havia posto no caminho. Sua mãe permanecia longo tempo em conversa com ela: combinavam o que devia fazer no dia seguinte. Mamãe Assunta muitas vezes ficava nervosa e tensa, e era capaz de recriminá-la e de maltratá-la…E Mariazinha acabava levando uma bronca imerecida. Ela, porém, “não ficava amuada comigo”, relembra a mãe.

Mariazinha enfeitava, com flores do campo, o quadro de Nossa Senhora. Todas as noites rezava o terço com a família. Nos últimos tempos, o terço havia se tornado indispensável para ela. Trazia-o sempre enrolado em torno do braço. Ia com prazer ao santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, embora tivesse que enfrentar quatro horas de caminhada. E no final de sua vida, já no hospital, faz este pedido afetuoso: “Levem-me para perto do quadro de Nossa Senhora”.

Sua mãe confirma: “Todas as noites ela rezava um terço a mais, em sufrágio da alma de seu pai”.

Sua mãe conta: “Nos últimos tempos, eu encontrava tudo pronto: ela preparava o almoço, voltava a lavar roupa, sem que ninguém a obrigasse. E fazia mil serviços necessários numa casa com tantas crianças: passava roupa, remendava, esfregava o chão com escovão, arrumava as camas, limpava os quartos, cuidava dos irmãozinhos”. Encontrava sempre mil pequenas ocasiões para servir.

A piedosa menina teve a felicidade de receber..cinco vezes, em seu coração, o Deus do amor e da pureza: a primeira, em 6 de junho de 1901; a segunda, um pouco depois, no santuário de Nossa Senhora das Graças, protetora de Nettuno; a terceira, na Páscoa de 1902; a quarta, na igreja de Campomorto, e a quinta, na hora da morte” – como se lê nas Atas do processo informativo, folha 144, relatório de dom Signori, 28 de setembro de 1903.

Mariazinha demonstrava uma maturidade humana extraordinária em seus relacionamentos. Foi uma filha respeitosa e confidente. À noite, remendava as velhas roupas da mãe. E esta afirma: “Ela me contava os acontecimentos do dia…Sempre, sempre, Maria me obedeceu. Tinha um caráter aberto, se abria comigo…Era muito afetuosa com o pai e comigo. Era corajosa e procurava inclusive encorajar-me quando me via angustiada”.

Ela também demonstrava ter uma grande capacidade de discernimento. Sabia ler os sinais de Deus na sua história e na de sua família, dispondo-se imediatamente a fazer a vontade de Deus. Assim, soube reagir à morte do pai com estas palavras, que foram as primeiras a serem registradas: “Mamãe, não fique preocupada…eu fico no seu lugar, tomando conta da casa”. De fato, ela “dirigia a casa” e “cuidava dos irmãozinhos”.

 

Sofrimento e morte de Maria Goretti

 

Um dos seus sofrimentos foi o de não poder comunicar à mãe as tentações de Alexandre: “Querida mamãe, eu tinha vergonha e não sabia como dizer isso. Além disso, Alexandre jurou que me mataria… E acabou me matando do mesmo jeito”.

Mamãe Assunta admitiu: “Se minha filha tivesse cedido à tentação e ainda estivesse viva, eu sentiria uma dor muito maior do que tê-la visto morrer a fim de permanecer fiel ao Senhor”.

No nome de Jesus, feito obediente até a morte, todo joelho se dobra e todo mal é destruído. “Não faças isso, você vai para o inferno” – gritava para Alexandre.

E, nos lábios, a doce invocação: “Jesus, Jesus…Deus, Deus, estou morrendo”.

Mamãe Assunta afirma: “Quando vi que minha filha estava já no fim, beijei-a e ela também me beijou. Dei-lhe também para beijar o crucifixo e a medalha de Nossa Senhora, que eu trazia no pescoço”. Faleceu em 1902, aos 11 anos, na cidade de Netuno, Itália.

 

Prisão e Conversão do agressor

 

Lá fora, a multidão prorrompe uma explosão de incontida indignação…a muito custo a policia consegue impedir o linchamento. Torna-se necessário aguardar a chegada da policia montada…Durante o interrogatório judicial, pergunta o magistrado:

– Alexandre, foi você que matou Maria Goretti?

– Fui eu, sim senhor.

– Por quê?

– Porque ela se recusou a satisfazer meus instintos.

É condenado a trinta anos de prisão. Vai cumprir a pena na cidade de Noto, na Sicília. Nos primeiros anos não muda coisa alguma: sempre o mesmo cinismo, o mesmo desprezo.

Maria Goretti dissera antes de morrer: Quero vê-lo perto de mim no céu. Um dia D. Baldini, bispo do lugar, vai visitá-lo. Alexandre recebe o prelado com ar de menosprezo. O Bispo senta-se ao seu lado:

– Como vai Alexandre?

– Muito mal.

– Sabe, Alexandre, eu vou tratar de tirá-lo daqui. Quero pô-lo em liberdade. O preso desanuvia a fronte:

– Deus o ouça. Sr. Bispo.

– Pois é. Enquanto isso, trago-lhe alguns livros e algumas revistas. Este aqui é a vida de Maria Goretti.

Trêmulo de emoção, abre o livrinho. Quer ver o que diz do assassino. Principia a ler por curiosidade e acaba lendo-o com arrependimento. A virtude daquela menina brilha agora intensamente para o seu coração. Sente quão hediondo fora seu crime. Alexandre chora: miserável que sou. Monstro. Eu sou um monstro!

Uma noite tem um sonho, que ele mesmo descreve: “Parecia-me estar num jardim cheio de lírios. De repente, vi aparecer Marieta; toda vestida de branco, colhia flores. Passava-as para as minhas mãos, dizendo: “Toma”. Eu as recebia e beijava com grande devoção, e elas se transformavam em chamas cintilantes. Pensei: Tenho esperança de salvar-me, pois tenho uma santa no Paraíso que reza por mim.”

Dias depois, Alexandre escreve ao Sr. Bispo: “Detesto e abomino um homicídio tão bárbaro, que hoje amargurado lamento, por saber que tirei a vida a uma pobre inocente, que até o ultimo instante quis conservar a sua honra, preferindo a morrer tão cedo, a render-se aos meus vis desejos, e cuja resistência me levou a dar um passo tão horrível, quão lamentável. Publicamente detesto minha vil ação e peço perdão a Deus, à infeliz e desolada família da vitima, pelo enorme pecado que cometi; e espero que também possa obter o perdão, a paz, e até as bênçãos da nobre extinta…”

Decorrem trinta e cinco anos do crime. Vésperas de natal de 1937. Dia de rigoroso inverno. Em Corinaldo, as famílias dos lavradores encontram-se nos estábulos, aquecendo-os ao calor dos animais.   Lá fora, um homem de 55 anos vai se arrastando vagarosamente. Malvestido. Meio curvo. Chega a casa de D.Assunta. Bate.

– Quem é?

– Alexandre Serenelli.

A velhinha de 70 anos, o cabelo branco, o rosto enrugado aparece.

– D. Assunta, perdoe. Pode perdoar-me?

– Como não perdoar? Perdoou o Senhor. Perdoou-lhe minha filha. Como não hei de perdoar eu?

No dia seguinte, D. Assunta e Alexandre Serenelli, lado a lado, recebem Nosso Senhor na mesa eucarística.

Alexandre recolhe-se ao convento dos Padres Capuchinhos de Ascoli Piceno. É religioso da Ordem Terceira de São Francisco.

Em 1950, Maria Goretti foi declarada santa por Pio XII. Por ter conseguido preservar sua virgindade até a morte, ela é considerada um modelo de pureza e doçura entre os adolescentes e jovens de hoje.

 

Reflexão

 

O Beato João Paulo II em sua homilia na visita pastoral ao Santuário de Nossa Senhora das Graças e Santa Maria Goretti, em Nettuno (Itália), no dia 1 de setembro de 1979, deixou-nos esta belíssima reflexão sobre nossa santa:

“Maria Goretti, luminosa na sua beleza espiritual e na sua já conseguida eterna felicidade, convida-nos precisamente a termos fé firme e segura na “palavra de Deus”, única fonte de verdade, e a sermos fortes contra as insinuantes e envolventes tentações do mundo. Uma cultura voluntariamente antimetafísica produz logicamente uma sociedade agnóstica e neopagã, apesar dos esforços louváveis de pessoas honestas e preocupadas com o destino da humanidade. O cristão está hoje sujeito a uma luta contínua, torna-se, ele também, “sinal de contradição”, pelas opções que tem de realizar. Exorto-vos especialmente a vós, meninas: olhai para Maria Goretti. Não vos deixeis seduzir pela aliciante atmosfera criada pela sociedade permissiva, que afirma tudo ser lícito. Segui Maria Goretti. Amai, vivei e defendei com alegria e coragem a vossa pureza. Não temais transportar a vossa limpidez ao meio da sociedade moderna, como facho de luz e ideal.

Com Pio XII dir-vos-ei: “Corações ao alto! Acima dos pântanos infectos e do lodo do mundo, estende-se um céu imenso de beleza. É o céu que fascinou a pequena Maria; o céu a que ela quis subir pelo caminho único que lá conduz: a religião, o amor a Cristo e a heroica observância dos seus mandamentos. Salve, ó suave e amável Santa! Mártir da terra e anjo do céu, lá da tua glória volve o olhar para este povo que te ama, que te venera, que te glorifica e te exalta!” (Pio XII, Discorsi e Radiomessaggi, XII, p. 122-123).”

 

Fonte:

 

http://biografiadossantos.wordpress.com/2010/04/08/santa-maria-goretti-martir/

Grifos Nossos

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