São Luís Beltrán

O Apóstolo da Colômbia

A cidade de Valência, imortalizada por El Cid e por São Vicente Ferrer, viu nascer em seu seio em 1526 outro grande santo, João Luís Beltrán, parente remoto do segundo. Primogênito dos nove filhos do notário de mesmo nome, o menino recebeu desde cedo a esmerada educação cristã de toda aquela prole, que levou-a a distinguir-se no caminho da virtude.

Sua devoção à Rainha do Céu era profunda. Já aos oito anos de idade começou a rezar seu Ofício, o que faria por toda a vida.

Dizem seus biógrafos que Luís era tão respeitoso e obediente a seus pais, modesto na escola e religioso na igreja, que muitos já previam nele um grande santo.

Apesar de sua extrema piedade, Luís só pôde fazer a primeira comunhão aos 15 anos, devido ao costume da época, recebendo então licença de seu confessor para comungar três vezes por semana, o que era então raro.

Mas só isso não contentava o adolescente. Julgando que não lhe era possível servir mais perfeitamente a Deus rodeado do carinho dos seus, fugiu de casa para ir a algum lugar onde não fosse conhecido nem benquisto. Mas o pai foi ao seu encalço, trazendo-o de volta para o lar. Sabendo, porém, que o filho queria consagrar-se a Deus, propôs-lhe começar a usar já o hábito clerical, como futuro sacerdote diocesano.

Não era este o desejo de Luís. Já fazia algum tempo que desejava entrar na Ordem Dominicana, então florescente. Por isso, certo dia, sem dizer nada ao pai, foi ao convento dessa ordem em Valência, pedindo admissão. Mas o pai adiantou-se, pintando ao prior do convento com tintas tão pretas as enfermidades e achaques do rapaz, que lhe tornava impossível a vida no claustro. O prior prometeu que, enquanto fosse superior, não daria o hábito ao filho.

Quando ele foi substituído, e depois de muito insistir, Luís conseguiu ser admitido na Ordem em agosto de 1544.

No princípio de seu noviciado, pensou em deixar os estudos para entregar-se mais à oração e à contemplação. Mas reconheceu nisso uma tentação do demônio, para evitar que ele tomasse a via para a qual Deus o chamava, e na qual poderia ser depois mais útil às almas. Passou a dedicar então muitas horas ao estudo, não considerando malogradas essas horas não dedicadas à contemplação.

As terríveis penas do Purgatório

Em 1548 foi enviado para o convento de Lombay, recém-fundado pelo Duque de Gandia, São Francisco de Borja. Pouco tempo ficou ali, pois teve que acorrer junto ao pai, que agonizava. Vendo-o chegar, o moribundo lhe disse: “Meu filho, uma das coisas que me deu maior pena nesta vida foi ver-te frade. E agora, o que me dá mais consolo, é ver que tu o és. Eu te encomendo minha alma. Lembra-te de mim depois que eu parta”.

São Luís assistiu o pai em sua morte, depois da qual Nosso Senhor lhe revelou os muitos padecimentos dele no Purgatório.

Que coisa séria é o Purgatório! Apesar de se tratar de um católico cumpridor dos deveres, e que teve uma feliz morte assistida por um filho sacerdote e santo, João Luís (pai) teve que passar por um longo e terrível purgatório. O filho empregou todos os recursos que a Igreja possui, isto é, Missas, esmolas, jejuns e sacrifícios, durante oito anos, em sufrágio da alma do falecido. Foi só então que o viu entrar na glória celeste.

Mestre de noviços do convento dominicano

De tal maneira brilhava a santidade de Luís Beltrán, que ele foi escolhido, aos 25 anos de idade, para ser mestre de noviços no convento dominicano de Valência. E de tal maneira cumpriu esse dificílimo encargo, que foi escolhido mais seis vezes para ele durante sua vida.

Na formação de seus noviços, ele era ao mesmo tempo mãe e juiz, apoiando a humana fraqueza, mas não pactuando com ela. Queria que as constituições da Ordem fossem eximiamente observadas, e não tolerava faltas contra a obediência. Insistia com seus noviços para que se dedicassem seriamente à oração.

Chamado a pregar, se bem que não possuísse nenhuma das qualidades do bom orador, São Luís atraía a atenção por sua santidade. Nem a catedral, nem outras igrejas de maior capacidade eram suficientes para acomodar a crescente multidão que desejava ouvi-lo.

Conquistar o mundo para a glória de Deus

Em 1556, quando era novamente mestre de noviços no convento de Valência, chegaram ao porto da cidade algumas galés de mouros cheias de cristãos cativos, para resgate. Ora, o comandante mouro não achou nada melhor do que pavonear-se pela cidade, com os seus subordinados, num dia de festa. Ao saber do fato, São Luís Beltrán indignou-se. Reuniu seus noviços e lhes disse: “Quem sofrerá, meus filhos, que os inimigos de Cristo, depois de ter feito cativos a cristãos, venham passear em nossa cidade e partam gabando-se do fato? Ponhamo-nos de joelhos e rezemos um salmo contra esses mouros”. Essa oração, partida da indignação e do zelo pela glória de Deus, foi bem aceita no Céu: começando os mouros a navegar, levantou-se furiosa tempestade, que os levou ao fundo do mar junto com suas naves.

O zelo de São Luís não podia conter-se nos limites de Valência. Queria ele conquistar o mundo para Cristo, conforme o preceito de Nosso Senhor: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Por isso, pediu aos superiores que o enviassem às Índias Ocidentais para trabalhar na conversão de muitas almas para Deus.

Missionário entre os nativos da Colômbia

Assim, embarcou em Sevilha, aportando no ano de 1562 em Cartagena de Índias, na atual Colômbia, para onde fora designado.

Ao ver-se só entre indígenas, dos quais desconhecia a língua, procurou um intérprete, mediante o qual evangelizava aquele povo rude e ignorante. Descobriu porém que o intérprete o enganava, dando às suas palavras um sentido contrário ao que dizia. Suplicou então ao Divino Espírito Santo que o socorresse, tendo obtido nessa ocasião o maravilhoso dom das línguas. Ele falava em castelhano e os silvícolas o entendiam em suas línguas nativas. A graça divina, fazendo frutificar seus sermões, multiplicava as conversões.

Durante sete anos ele percorreu aquelas selvas impenetráveis da então Nova Granada, entrando em lugares nunca vistos por civilizados, atravessando caudalosos rios e alcançando os silvícolas nos tugúrios mais miseráveis, para levar-lhes a fé no verdadeiro Deus e a esperança da salvação eterna.

Como sacerdote zeloso, queimava as choças que serviam para o culto da religião pagã, eivada de satanismo, e servia-se das crianças para descobrir os ídolos que os pais tinham escondido. Encontrando-os, queimava-os em público para demonstrar àqueles infelizes índios que eles não deviam temer aqueles impotentes ídolos, os quais não possuíam nenhum poder contra a verdadeira Religião.

Portentosos milagres no retorno à Espanha

Após sete anos de fecundo apostolado entre os indígenas, São Luís Beltrán retornou à Espanha. Quando chegou, em 1570, quis recomeçar seu noviciado, o que fez com todo fervor e observância. Mas logo foi designado novamente para mestre de noviços.

Era tanto o bem que fazia ao dirigir espiritualmente as almas, que o demônio não o deixava em paz. Perseguia-o de tantos modos, que ele chegou a lamentar-se a um companheiro: “Vós vos espantaríeis, irmão, se soubésseis os trabalhos que me dão os demônios”.

Narra-se um dos muitos milagres operados por São Luís Beltrán nessa época: sendo prior do convento de Albaida, pregava no púlpito com grande empenho contra os pecados públicos, que constituíam escândalo na cidade. Um homem muito rico, que se julgou atingido, mandou dizer ao santo por um criado que, se ele não se desdissesse num próximo sermão, haveria de tirar-lhe a vida. São Luís respondeu-lhe que teria como felicidade morrer pelo que havia pregado.

Certo tempo depois, estava ele numa estrada fora da cidade com um senhor de sua amizade, quando viu aproximar-se a toda brida o tal cavalheiro, de pistola em punho. O companheiro fugiu, mas São Luís não arredou pé. O agressor encostou-lhe então a pistola ao peito, gritando: “Mau frade, como ousas falar contra alguém como eu?”. E acionou o gatilho. Nesse momento a pistola converteu-se em um crucifixo. Assustado ante o milagre, o cavalheiro caiu de joelhos, pediu perdão ao santo e prometeu emendar a vida.

Nos últimos anos de São Luís Beltrán, voltaram-lhe com mais força as enfermidades de que havia padecido toda a vida, provocando-lhe cruéis sofrimentos. A São João de Ribeira, arcebispo e patriarca de Valência, que lhe perguntou se estava contente com os sofrimentos que Deus lhe enviava, respondeu: “Em verdade, senhor, eu não trocaria estas penas por quaisquer bens do mundo. E estou confuso pelo fato de Deus Nosso Senhor fazer-me tantos favores, a mim, que sou um grande pecador”.

São Luís Beltrán faleceu no dia 9 de outubro de 1581, sendo declarado, em 1690, patrono de Nova Granada (Colômbia).

Reflexão

Este bondoso amigo de todos assumiu cargos de direção na Ordem Dominicana, exerceu com grande eficácia o ministério da pregação, chegando a operar inúmeras conversões e alcançar milagres. Como formador de futuros missionários, pôde partilhar com palavras o que viveu nas inúmeras missões. Ensinava que a arma mais eficaz na conversão das almas é uma intensa vida de oração e de muito sacrifício, e que a pregação necessita de ser acompanhada pelas boas obras, caso contrário, o mau exemplo destruiria de maneira fatal a proclamação da Boa Nova. Que esse exemplo de missionário possa hoje nos inspirar a avançar pra águas mais profundas e, com sua intercessão, termos a mesma coragem de levar Jesus àqueles que ainda não o conhecem. São Luís Beltrán, rogai por nós. Amém

Fonte:

http://reporterdecristo.com/sao-luis-beltran-apostolo-da-colombia/

Grifos Nossos

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