Santa Catarina de Alexandria

Catarina vem da junção: “Catha”, que significa total, e “ruin” que significa ruína: portanto, “ruína total”. Realmente, o prédio do diabo foi totalmente demolido dentro de Santa Catarina: o edifício do orgulho, destruído pela sua humildade, aquele da concupiscência carnal, pela virgindade que ela preservou, e aquele da cobiça terrestre, pelo menosprezo a todo tipo de bens mundanos.

O nome Catarina pode vir ainda de “catenula”, uma pequena corrente: através de seus bons trabalhos, ela formou para si uma corrente pela qual subiu até o Céu. Esta corrente ou escada, possui quatro degraus, que são: a inocência de ação, pureza de coração, desprezo pela vaidade e a verdade. As propostas destes degraus, um a um são:

— «Quem subirá à montanha do Senhor?…o que tem mãos limpas e puro de coração, que não conduziu em vão sua alma, nem testemunhou em falso enganando seu próximo».

Como estes quatro degraus estavam presentes na santificada vida de Catarina, tornar-se-á claro, à medida que lemos sua história.

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA

Infância

Santa Catarina, filha do rei Costus e da rainha Sabinela, nasceu em Alexandria, no Egito, no fim do século III. Distinguia-se por sua inteligência e por sua beleza. Era pagã como seus pais. Dois sábios de Alexandria foram os seus mestres e, tão rápidos foram seus progressos, que aos treze anos era mestra nas sete artes livres: eloquência, poesia, música, arquitetura, escultura, plástica e coreografia.

Quando seu pai faleceu, Catarina retirou-se com sua mãe para as montanhas da Cilícia. Sabinela encontrou-se com um eremita cristão chamado Ananias que a instruiu na fé cristã. Sabinela aderiu à Jesus Cristo e recebeu o Batismo. Como verdadeira cristã, desejou que também a sua filha Catarina conhecesse o Cristianismo e se tornasse discípula de Jesus Cristo. Catarina, porém, resistia às insistências da mãe. Um sonho significativo que tiveram mãe e filha foi o meio empregado por Deus para chamar Catarina à verdadeira fé. Desejosa de conseguir aquilo que o sonho lhe prometera, instruiu-se nas verdades da religião cristã. Suficientemente preparada, Catarina recebeu o batismo.

Catarina – Serva e Apóstola de Jesus Cristo

Príncipes de diversas regiões que ouviam falar da sabedoria e da beleza de Catarina, desejavam casar-se com ela. Catarina, porém, foi radical em sua decisão de renunciar ao casamento e a todas as honras e riquezas da terra, para servir exclusivamente a Jesus Cristo. Era ousada em combater os deuses pagãos e em falar ao povo do Deus verdadeiro. Com apenas dezoito anos, em discussão pública, confundiu os maiores filósofos da cidade em que morava.

Catarina – defensora dos cristãos

No ano de 307, o imperador Maxêncio decretou uma perseguição aos cristãos de Alexandria. Para conseguir o seu objetivo promoveu uma festa no templo dos deuses e convocou todo o povo para oferecer incenso aos ídolos. Por medo da morte, os cristãos, viam-se constrangidos a oferecer incenso a estes deuses em quem não acreditavam. Ciente destes acontecimentos, Catarina que temia unicamente a Deus, enfrentou o imperador Maxêncio. Ele procurou confrontar as afirmações de Catarina e lhe provar que o Cristianismo era um absurdo. A jovem corajosa ficou inabalável em sua fé.

Catarina – vencedora de uma disputa com sábios

Maxêncio compreendeu então, que não podia competir com o conhecimento de Catarina e secretamente enviou cartas a todos os mestres de lógica e retórica, ordenando a comparecerem rapidamente a corte de Alexandria, com a promessa de recompensas vultuosas, se pudessem superar esta fêmea demagoga com seus argumentos. Cinquenta oradores, que superaram todos os mortais em todas as linhas do conhecimento humano, vieram de várias províncias e uniram-se. Foram ter com o imperador, a razão de sua convocação de lugares tão longínquos, aos quais ele respondeu:

— “Temos aqui uma donzela sem igual tanto em compreensão como em prudência. Ela refuta todos os sábios e declara que nossos deuses são demônios. Se puderem superá-la, voltarão para casa ricos e famosos”.

Neste instante, um dos oradores exclamou, com a voz trêmula de indignação:

— “Ó profundo, pensamento profundo do imperador, que devido a uma disputa insignificante com uma donzela, reuniu sábios dos confins da terra, quando qualquer um dos nossos discípulos poderia tê-la silenciado com a maior facilidade!”.

Mas o César retorquiu:

— “Eu poderia realmente tê-la forçado a oferecer sacrifícios, ou livrar-me dela com a tortura, mas achei melhor que fosse refutada de uma vez por todas de seus argumentos”.

Então disseram-lhe os mestres:

— “Traga a donzela perante nós! Que ela sinta vergonha de sua imprudência, que ela reconheça não ter antes visto homens sábios”!

Quando informaram à Catarina a respeito da disputa que a aguardava, ela se entregou inteiramente a Deus e imediatamente, um anjo do Senhor colocou-se ao seu lado e admoestou-a a permanecer firme assegurando-lhe ser impossível que ela fosse derrotada por estas pessoas; e mais ainda, ela as converteria e as colocaria no caminho do martírio. Então, Catarina foi levada à presença dos oradores. Indagou ela:

— “É justo colocar cinquenta homens contra uma moça, com a promessa de que, ao ganhar, receberão uma rica recompensa, forçando-me a lutar sem a esperança de prêmio?… entretanto, minha recompensa será o Senhor Jesus Cristo, que é a esperança e a coroa daqueles que lutam por Ele”.

Iniciou-se o debate, e, quando disseram os oradores ser impossível para Deus tornar-se homem ou sofrer, Catarina mostrou ter sido isto já previsto, mesmo por pagãos! Platão mostrou um Deus assediado e mutilado. Sibila, também dizendo: “- Feliz é o Deus que é suspenso em uma árvore alta!” e a virgem prosseguiu a contradizer os oradores com extrema habilidade e os refutou com um raciocínio claro e convincente, até o ponto que eles, não encontraram mais respostas, reduzindo-se tudo ao silêncio.

Este fato provocou novas manifestações de ira por parte do imperador, que passou a insultar os oradores, por deixarem que uma menina os fizesse de bobos. Um dentre eles, o decano, manifestou-se:

— “Deverá saber, ó César, que ninguém jamais foi capaz de nos enfrentar e não ser derrubado de imediato, porém, esta jovem mulher pela qual o Espírito de Deus fala, nos respondeu de uma maneira tão admirável, que, ou não sabemos o que dizer contra Cristo, ou tememos dizer qualquer coisa! – Portanto, ó imperador, declaramos firmemente que, a não ser que possa propor uma opinião mais sustentável a respeito dos deuses que até agora adoramos, seremos todos convertidos a Cristo”!

Ao ouvir isto, o imperador enfurecido, fora de si, ordenou que queimassem todos no meio da cidade. Com palavras de encorajamento a virgem fortaleceu-os diante da resolução de martírio, diligentemente os instruiu na fé. Quando ficaram preocupados porque morreriam sem terem sido batizados, ela lhes disse:

— “Não tenham medo, o derramamento de seu sangue, contará a seu favor como batismo e coroa”!

Protegeram-se com o Sinal da Cruz e foram lançados às chamas, entregando assim suas almas ao senhor. Aconteceu que, nenhum fio de cabelo de suas cabeças, nem um fragmento de seus vestuários, foi sequer chamuscado pelo fogo. Em seguida os cristãos os enterraram.

O tirano então se dirigiu à virgem:

— “Ó donzela nascida da nobreza, pense na sua juventude. No meu palácio estará em segundo lugar, logo após a rainha. Erguer-se-á no centro da cidade, sua imagem; será adorada por todos como uma deusa”!

Ao que exclamou Catarina:

“Pare de falar tais coisas! É um crime, mesmo só em pensá-las! Eu me entreguei como noiva de Cristo, e Ele é minha glória, Ele é meu amor, minha doçura e meu deleite. Nem louvores, nem torturas me afastarão de Seu amor”!…

Voltou então, a manifestar-se toda a ira do imperador, ordenando então, que ela fosse trancafiada durante doze dias em uma cela escura, onde ela padeceu com dores e fome.

Catarina, encarcerada

Por ordem de Maxêncio, Catarina foi encarcerada. No dia seguinte, o imperador mandou chamá-la à sua presença. Apaixonado por sua beleza procurou conquistá-la por meio de adulações e propostas. Prometeu até dedicar-lhe um templo. Destemida, Catarina permaneceu firme em sua fé. Decepcionado, Maxêncio ordenou que a flagelassem e a deixassem no cárcere sem comer e sem beber.

Conversão da Imperatriz e do General Porfírio

Num sonho, a imperatriz viu Catarina no cárcere, rodeada de luz e assistida por pessoas vestidas de branco. Pediu então ao General Porfírio que a levasse ao cárcere. O General que já havia perdido a fé nos deuses dos pagãos e se inclinava a aderir ao Cristianismo, atendeu prontamente o pedido da imperatriz. Chegaram ao cárcere durante a noite e a viram iluminada por grande claridade. Foi para ambos a hora da graça de Deus. Conversaram longamente com Catarina. A adesão a Cristo, esclarecida e corajosa, foi o fruto deste encontro. Catarina animou-os a se prepararem para as consequências de sua decisão, inclusive para o martírio. Porfírio comandava a primeira corte dos guardas imperiais: 500 homens. Confirmado na fé, anunciou aos seus soldados a Boa Nova de Jesus. Muitos se converteram.

Rodas despedaçadas

Catarina passou doze dias na prisão. Foi então convocada a comparecer ao tribunal. O imperador ficou surpreso ao vê-la mais bela do que antes, apesar do jejum e da flagelação. Ordenou que os guardas fossem castigados se não revelassem quem a havia socorrido na prisão. Para defender a vida dos guardas, Catarina declarou: “se estou com boa aparência, é porque Aquele que eu confessei diante de ti dignou-se alimentar a mim com pão celestial”. Mais irritado ainda, Maxêncio acusou-a de feiticeira e ordenou que fosse torturada e assassinada. A caminho do suplício, Catarina converteu a muitos que insistiam com ela para que atendesse aos desejos do imperador.

Foi então que um alto funcionário da corte teve uma idéia diabólica. Ele foi ter com o imperador e propôs que Catarina fosse condenada ao suplício da máquina com facas e pontas de ferro em quatro grandes rodas que, ao se movimentarem em sentidos diversos umas das outras, despedaçariam o corpo colocado no meio delas. A máquina foi colocada na praça pública e Catarina foi trazida para o local. Enquanto preparavam o suplício, Catarina permaneceu tranquila, em oração. Ao terminar a oração, eis que um Anjo desceu do céu num turbilhão e quebrou a máquina com tal ímpeto que os pedaços se projetaram sobre os algozes. Algumas pessoas morreram atingidas pelos pedaços das rodas, e outras, pelo raio. Por esse motivo a Roda Quebrada passou a ser o símbolo de Santa Catarina de Alexandria. Após este acontecimento Catarina retornou à prisão.

Martírio da imperatriz e do General Porfírio

A imperatriz foi ter com seu marido e lhe disse: “por que lutas contra o Senhor meu Deus? É uma loucura te ergueres contra o Criador! Pensas que terás êxito? Reconhece, ao menos agora, nas rodas quebradas, o poder do Deus dos cristãos”. Irritado por ver que sua esposa professava a fé em Jesus Cristo, ordenou aos carrascos que a levassem ao lugar do suplício para ser martirizada. Na manhã seguinte, o imperador ficou sabendo que o General Porfírio e seus soldados haviam embalsamado e sepultado o corpo da imperatriz. Encolerizado, ordenou que Porfírio e seus soldados fossem decapitados e que seus corpos fossem devorados pelos cães.

Catarina, mártir gloriosa

Alguns dias depois, o imperador Maxêncio pediu que lhe trouxessem Catarina e lhe disse: embora sejas mais culpada do que todos aqueles que, seduzidos por teus feitiços, incorreram, por tua causa, à sentença de morte, todavia, se te arrependeres e ofereceres incenso aos nossos deuses onipotentes, poderás reinar feliz conosco e ser nomeada a primeira dama em nosso império. Catarina desprezou as promessas do imperador e lhe declarou ser fiel a Jesus Cristo. Maxêncio então ordenou que fizessem Catarina sair de sua presença e que fosse imediatamente decapitada.

Quando Catarina se dirigia ao lugar do martírio, viu a multidão que a seguia e que muitos choravam. Disse-lhes: “se alguma piedade natural vos comove a meu respeito, peço-vos: alegrai-vos comigo, pois vejo Nosso Senhor Jesus Cristo que me chama. Ele é a soberana recompensa dos Santos, a beleza e a coroa das Virgens”. Pediu ao carrasco que lhe desse tempo para orar:

— “Ó esperança e glória das virgens, Jesus, o bom Rei, rogo-lhe que qualquer um que prestar homenagem à minha paixão, ou que me invocar no momento da morte ou de qualquer necessidade, receba o benefício da Tua bondade”.

Ouviu-se uma voz que lhe disse:

— “Venha amada, minha esposa e veja! Os portões do céu abriram-se para você e para aqueles que celebrarem a sua paixão com as mentes devotas. Prometo a ajuda do céu para o que me pediste em oração”.

Quando a santa foi decapitada, fluiu leite de seu corpo ao invés de sangue. Os anjos pegaram seu corpo e o levaram daquele lugar numa viagem de vinte dias até o Monte Sinai, onde foi enterrada com honras. (Emana ainda, continuamente de seus ossos, um óleo que recupera os membros de todos aqueles que são fracos.)

Veneração a Santa Catarina

Segundo a tradição, religiosos que moravam no Sinai sepultaram o corpo de Catarina no mais alto pico do Monte Sinai. Este pico passou a ter o nome de “Monte Katharin”. No século VI, o imperador Justiniano ordenou a construção da Igreja e do Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. A veneração a Santa Catarina teve novo impulso quando o seu corpo foi descoberto no Monte Katharin, no século VIII. Os monges o colocaram em caixa de ouro. Atualmente estas relíquias se encontram num sarcófago de mármore, na Igreja do Mosteiro de Santa Catarina. Numerosas Igrejas e Capelas são colocadas sob sua proteção.

Santa Catarina é venerada como Padroeira da Congregação das Irmãs de Santa Catarina. Também é Padroeira dos jovens, das universidades, da corporação dos moleiros e dos fabricantes de carros. Sua festa é celebrada no dia 25 de novembro.

Reflexão

A abençoada Catarina é admirável sob cinco aspectos: primeiro, em sabedoria, segundo, em eloquência, terceiro em constância, quarto na pureza da castidade e quinto na dignidade privilegiada.

Santa Catarina possuía no seu conhecimento dos mistérios divinos, conhecimento este que ela usou especialmente nos seus argumentos contra os retóricos, aos quais ela provou existir um Deus único e aos quais convenceu de que todos os outros deuses eram falsos.

Em segundo lugar, a eloquência de Catarina é admirável; era abundante quando pregava, como pudemos observar, extremamente convincente em seu raciocínio como quando falava ao imperador.

Em terceiro lugar, consideremos sua constância: Era constante em face às ameaças, indo de encontro a elas com desdém, como quando o imperador a ameaçou e ela respondeu:

— “Quaisquer tormentos que tenha em mente, é perda de tempo.” ou novamente, “- Faça qualquer coisa que tenha em mente fazer. Encontrar-me-á preparada…”

Em quarto lugar, Catarina era admirável pela sua castidade que ela preservou, mesmo em meio a condições que normalmente a colocaria em risco. Há cinco condições de risco presentes, tais como: a riqueza material, que esmorece a resistência, a oportunidade, que convida à indulgência, a juventude, que se tende à licenciosidade, a liberdade que isenta a restrição e, a beleza que seduz. Catarina teve todas estas condições e mesmo assim, preservou sua castidade.

Finalmente, era admirável pela dignidade privilegiada. Alguns santos receberam privilégios especiais: por exemplo, a visitação de Cristo (São João, o Teólogo), fluxo de óleo (São Nicolau), efusões (São Clemente) e, a audição de petições (Santa Margarida de Antióquia, quando rezou por aqueles que honrassem sua memória). A história de Santa Catarina, mostra que possuía todos estes privilégios. Santa Catarina de Alexandria, rogai por nós. Amém!

Oração a Santa Catarina 

Gloriosa Santa Catarina, modelo de virtude, por aquela fé que vos animava desde a mais tenra idade e que vos fez tão agradável aos olhos de Deus, que mereceste não só a coroa do martírio, mas que também confundistes os sábios deste mundo e os convertestes a Cristo, alcançai-nos a graça de conservarmos em nossos corações a fé, em toda a sua pureza e de nos confessarmos cristãos não somente por palavras, mas também por obras, para que Jesus, de quem damos testemunho diante dos homens, nos confesse e glorifique diante do Pai.

Ó Santa Catarina, Virgem forte na fé, por aquela constância com que conservastes vossa consagração a Cristo, no meio do mundo corrompido, alcançai-nos de Deus o espírito de fortaleza para vencermos todas as tentações e nos conservarmos puros de coração.

Ó Virgem ardente no amor, por aquela força que abrasava o vosso coração na fidelidade ao amor de Deus e à missão para a qual Deus vos chamou e que vos fez suportar tantos sofrimentos e torturas, alcançai-nos de Deus a graça que purifica o nosso amor, para que possamos um dia participar da mesma glória que merecestes pelo vosso martírio. Amém.

Fonte:

http://acsc.com.br/santa-catarina-de-alexandria/

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/hagiografia/s_catarina_alexandria.html

Grifos Nossos

 

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