Santa Clara de Assis

Luz que iluminou o mundo

Alguns traços da vida e da obra de uma Santa que, como São Francisco, marcou sua época. Os que conviveram com ela não acreditavam “que de Nossa Senhora Bem-aventurada Virgem Maria para cá, tivesse havido jamais alguma mulher de maior santidade do que ela”

Num Domingo de Ramos, dia 18 de março de 1212, uma jovem, aos dezoito anos de idade, foge da casa de seus pais e se encaminha para a igrejinha da Porciúncula (na atual basílica de Santa Maria dos Anjos), onde São Francisco de Assis e seus Frades, em oração, aguardavam sua chegada.

Com círios acesos, os religiosos saem ao encontro da jovem, então luxuosamente adornada com seus trajes de fidalga, em direção à porta da igrejinha. Conduziram-na diante do altar de Nossa Senhora e a uniram para sempre ao seu Esposo Jesus Cristo. Ali mesmo, em presença de amigas e dos religiosos, São Francisco lhe corta os belos cabelos loiros. Essa tonsura é sinal de que a jovem, Clara de Assis, pertence virginalmente a Nosso Senhor.

Após esse ato, os Frades a acompanham até o mosteiro das Beneditinas de Bastia.

 Irredutível resistência à família, por amor à vocação

Entretanto, os familiares reagem com grande indignação a esta fuga. Mas a Santa não se entrega, permanecendo irredutível. Quando percebe que a violência está por prevalecer, agarra com uma mão a toalha do altar e com a outra tira o véu da cabeça… Aí seus parentes constatam que ela já é de Nosso Senhor, e as esperanças de demovê-la caem por terra.

Depois da Páscoa, Santa Clara sai da cidade de Bastia e vai para o mosteiro das Beneditinas de Sant’Angelo di Ponzo, onde, dezesseis dias depois de sua fuga, no dia 4 de abril, é alcançada pela sua irmã mais nova, Santa Inês, que também fugira de casa, querendo firmemente dedicar-se ao serviço de Deus.

A encantadora cidade de Assis fica em polvorosa e se divide: uns estão ao lado da família das Santas; outros, das “fugitivas”. Desta vez, porém, o pai está decidido a reaver viva ou morta sua filha mais nova. Doze cavaleiros, parentes das Santas, invadem sacrilegamente o mosteiro de Sant’Angelo. Um deles, chamado Monaldo, enfurecido, lança-se sobre Inês a socos e ponta-pés, arrastando-a pelos longos cabelos, enquanto outros agarram-na pelos braços e pelas vestes. E lhe infligiram tão desapiedados tratos, que pelo chão ficaram pedaços da roupa e punhados de cabelos. E assim conduziram-na montanha abaixo. Santa Inês, contudo, grita pela irmã, a qual se põe a rezar em seu favor. Então, pela graça de Deus, repentinamente Inês caiu estendida no caminho, e tornou-se de um peso tal, que os doze homens, nem mesmo com o auxílio de alguns lavradores, conseguiram arrastá-la.

Mesmo assim continuaram as crueldades. O tio Monaldo alçou o braço direito para descarregar um golpe sobre Inês, que bastaria para dar-lhe a morte, se a houvesse alcançado. No ato de erguer a mão, porém, esta se lhe contraiu, e assim ficou por bastante tempo. Deixaram então Santa Inês na estrada e fugiram.

 Fundação das Clarissas

Alguns dias após esses fatos, São Francisco de Assis faz uma visita ao mosteiro e reveste também Santa Inês do hábito da Ordem Segunda Franciscana, consagrando-a para sempre a Nosso Senhor. E escolhe para ambas as irmãs uma casa definitiva: a pobre residência da igreja de São Damião, situada fora dos muros de Assis.

Em pouco tempo, com outras jovens da cidade e de Perúsia, Santa Clara e Santa Inês formam a primeira comunidade das Irmãs Pobres de São Damião, que passarão a chamar-se Clarissas, após a morte de Santa Clara de Assis, ocorrida a II de agosto de 1253.

 Refúgio em Perúsia

Em 1198, o povo da comuna de Assis elege os cônsules para administrar a cidade, derrubando um a um, todos os castelos dos “Maiores”. Os Beneditinos do Monte Subásio acolhem os nobres refugiados… Mas muitos deles fogem de Assis.

Favorino Offreducci, pai de Santa Clara, refugia-se com sua família em Perúsia, onde permanece até 1209. Ao lado de sua mãe, Santa Clara cresce cortês e afável com todos, dedicando-se à oração e às obras de caridade, criando laços de amizade com outras meninas também exiladas em Perúsia, algumas das quais haveriam de acompanhá-la em Religião. Em 1209, Clara está novamente em Assis, onde, após ouvir uma pregação do grande São Francisco, decide consagrar-se inteiramente a Deus.

 Enfrenta os sarracenos

Frederico II, Imperador da Alemanha, perjuro, sacrílego e várias vezes excomungado, por ter sucessivas querelas com diversos Romanos Pontífices, fazia guerra à Igreja e sobretudo aos religiosos. Para tanto tinha a soldo um exército de sarracenos com mais de vinte mil soldados, fixado na Itália, e particularmente no vale de Espoleto, pertencente à Santa Sé, e onde ficava Assis.

Certo dia do ano de 1243, estando Santa Clara acamada, ouviu suas religiosas em lágrimas lhe dizer, com grande pavor, que uma tropa de maometanos tinha invadido o claustro externo da igreja de São Damião e já escalavam as muralhas do mosteiro. A Santa, sem se espantar, ordenou que a levassem, doente como estava, à porta do mosteiro bem em face do inimigo.

Ali, precedida de uma caixinha de prata guarnecida de marfim, contendo o Santíssimo Sacramento, ela se prosternou, em lágrimas, dizendo a Nosso Senhor Sacramentado a seguinte oração: “Senhor, guardai Vós estas vossas servas, porque eu não as posso guardar”. Ouviu-se então uma voz de maravilhosa suavidade dizendo: “Eu te defenderei para sempre”. Santa Clara rezou ainda pela cidade de Assis: “Senhor, que Vos apraza defender também a esta vossa cidade”. E a mesma voz disse: “A cidade sofrerá muitos perigos, mas será defendida”. Após o que Santa Clara se voltou para as Irmãs, dizendo: “Não fiquem com medo, porque eu sou a sua garantia de que não vão passar nenhum mal, nem agora nem no futuro, enquanto se dispuserem a obedecer os Mandamentos de Deus”. Os sarracenos foram embora sem fazer qualquer mal ou causar prejuízo ao mosteiro e às religiosas.

 Aparições do Menino Jesus

Depondo sob juramento no processo de canonização, a Irmã Francisca de Messer Capitaneo de Col de Mezzo conta que certa vez viu no colo de Santa Clara, bem junto ao seu peito, uma criança belíssima, que só de vê-la sentia indizível suavidade e doçura. E que não tinha a menor dúvida de que se tratava do Menino Jesus.

Em outra ocasião ainda, julgando as Irmãs que a Santa estava para morrer, chamaram um sacerdote para dar-lhe a Comunhão. A mesma Irmã Francisca viu sobre a cabeça da Santa um esplendor muito grande e a Sagrada Eucaristia tinha o aspecto de uma criança pequena e belíssima. Depois de comungar, Santa Clara disse: “Foi tão grande o benefício que Deus me fez hoje, que com ele não poderiam ser comparados o céu e a terra”.

Milagres operados por Santa Clara em vida

Em certa ocasião, como não houvesse mais do que meio pedaço de pão para a refeição das Irmãs, Santa Clara mandou dividir essa metade em porções para dar às religiosas. Aquele pedaço multiplicou-se nas mãos da que o partia de tal forma que deu para cinquenta porções, suficientes para as Irmãs que já estavam sentadas à mesa.

Mas a Santa, além de operar muitos milagres, exerceu também ação exorcística. Como exemplo, cabe lembrar o caso da mulher de Pisa. Dizia esta que Nosso Senhor, pelos méritos de Santa Clara a havia libertado de cinco demônios que a atormentavam, e que, por isso, tinha vindo ao locutório das Irmãs para agradecer primeiro a Deus e depois à Santa. Ao serem expulsos, afirmou a mulher que os demônios bradavam: “As orações dessa santa nos queimam”.

 Milagres após a morte

Depois de sua morte multiplicaram-se os milagres junto a sua sepultura. Assim, curou um epiléptico que, ademais, tinha uma das pernas atrofiadas. Ali receberam a cura integral pessoas cegas, corcundas, aleijadas em geral, possessas e loucas.

 Santa Clara escritora

Santa Clara foi excelente escritora. Tendo recebido em casa uma formação muito boa para seu tempo, teve o dom de expressar em seus escritos toda a riqueza de seu pensamento claro, conciso, elegante e principalmente entusiasmado por tudo quanto dizia respeito a Deus.

O que se conhece de seus escritos revela uma mulher inteligente e culta, que sabe muito bem o que quer e o exprime de maneira muito feliz. Dominava bastante bem o uso do latim, distinguindo-se pela simplicidade, clareza e objetividade.

 “Falo com minha própria alma”

Três dias antes de sua morte, em presença de algumas de suas Irmãs, Santa Clara encomendou sua própria alma a Deus dizendo: Vá em paz, porque tens boa escolta; pois aquele que te criou, previu tua santificação. E, depois que te criou, infundiu-te o Espírito Santo. E depois te guardou como uma mãe cuida do seu filho pequenino”.

Indagada a quem dirigia aquelas palavras respondeu: “Falo com a minha alma bendita”.

 Visita de Nossa Senhora à hora da morte

Às vésperas da morte de Santa Clara tinha-se a impressão de que a corte celestial se movimentava para preparar suas honras fúnebres.

A Irmã Benvinda de Assis, que a assistia nos últimos momentos, viu de repente com os olhos reais uma grande multidão de virgens, vestidas de branco, todas com coroas na cabeça, que entravam pela porta onde jazia Santa Clara. Entre elas havia uma maior, que excedia tudo quanto se possa imaginar, muito mais bela e com uma coroa maior na cabeça. Em cima de sua coroa havia um pomo dourado do qual irradiava tanto esplendor que parecia iluminar todo o recinto.

As virgens aproximaram-se do leito da Santa, e a Virgem maior foi a primeira a cobri-la com um pano finíssimo, tão fino que por sua transparência Santa Clara podia ser vista mesmo coberta com ele. Então a Virgem das virgens inclinou o seu rosto sobre a Santa e após isso todas desapareceram…

“Clara de verdade pela santidade de seus merecimentos….”

É impressionante o que Tomás de Celano, ao escrever a primeira biografia de São Francisco de Assis, em 1228, quando Clara não tinha mais do que 34 anos de idade (dos sessenta que deveria viver, quarenta e dois dos quais como Abadessa das Irmãs Pobres de São Damião) já fale dela como de uma santa canonizada:

“Clara…. virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria, sobressaiu na humildade. Foi clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes….

Mas, quando o Processo de Canonização de Santa Clara foi descoberto, em 1920, é que se fica sabendo da forte impressão que ela exerceu sobre seus contemporâneos, desde criança: tanto as irmãs como os leigos que depõem ficam sem palavras para comentar a santidade dessa mulher que, para eles, “abaixo da Virgem Maria”, não devia ter igual.

Reflexão:

“Haverá quem se queixe, vendo a Jesus Cristo na cruz, coberto de sangue?”

A meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, dava força à Santa clara, para sofrer com paciência as dores da doença. A mesma meditação, produziria em nós o mesmo efeito, se em nossos sofrimentos quiséssemos lembrar das dores que Jesus Cristo sofreu por amor. Jesus era inocente e sofreu mais que um homem jamais sofreu e poderá sofrer.  Nós, que somos pecadores, nada queremos sofrer? Jesus aceitou a cruz e a dor; e da boca não lhe saiu uma palavra de queixa.  Não deveremos imitar também este exemplo de Nosso Salvador? Considerações desta espécie, nos dias do sofrimento, fazem milagres. “Quem se lembra da Sagrada Paixão de Jesus Cristo, sofre tudo com paciência, por mais doloroso que seja”, diz São Gregório.

Santa Clara teve uma grande devoção ao Santíssimo Sacramento.  Aos pés do altar, procurava e achava alívio, consolação e auxílio. Se tivéssemos devoção igual a Jesus Eucarístico, os mesmos efeitos poderíamos experimentar. Que diz a nossa doutrina dobre o Santíssimo Sacramento? Não é real a presença de Jesus Cristo na Hóstia consagrada?  Pois se é esta a nossa fé, porque nos portamos como se não acreditássemos nesta verdade?  Se Jesus está presente no Santíssimo Sacramento, então Ele é o mesmo que fez ressuscitar o mancebo de Naim, a filha de Jairo e Lázaro.  Se Jesus está no Santíssimo Sacramento, então entre Ele e Aquele que fez a multiplicação dos pães, não há diferença nenhuma. Não deve, portanto, ser outra a nossa fé.  Porque não procuramos Jesus no Santíssimo Sacramento, quando a nossa alma se vê atribulada, quando a dor oprime o nosso coração?   Se aos homens abrimos o coração e em suas palavras buscamos consolo e conforto, porque não fazemos a Jesus nossas confidências?  Procuremos o Santíssimo Sacramento, avivemos nossa fé neste mistério da nossa Religião e, como Santa Clara, encontraremos quem nos consola, proteja e defenda. Santa Clara de Assis, rogai por nós. Amém.

 Fonte:

 http://grandessantos.blogspot.com.br/2008/03/santa-clara-de-assis-luz-que-iluminou-o.html

http://www.paginaoriente.com/santos/crsca1108.htm

Grifos Nossos

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