Beata Maria Luísa de Jesus Trichet

Co-fundadora da Congregação Filhas da Sabedoria

 

 

 

Maria Luísa Trichet (ou Maria Luísa de Jesus), com São Luís Maria Grignion de Montfort, é a co-fundadora da Congregação das religiosas chamadas “Filhas da Sabedoria”.

Há muitas vidas no santoral católico, vidas que simplesmente deixam assombrado a qualquer um. Não basta admirá-las, nem é suficiente ter por elas uma grande devoção. Às vezes, repassar sua epopéia tão pessoal e frequentemente anônima convida a amá-las com todo o coração. A beata Maria Luisa Trichet foi uma destas vidas.

Citá-la como fundadora da obra religiosa de São Luis Maria Grignión de Montfort já seria suficiente para reconhecer a dimensão espiritual que a enaltece. Testemunhar que todavia hoje em pleno século XXI, descrente e egoísta, sua Congregação segue em pé de luta desenvolvendo um apostolado titânico na educação e entre enfermos, complementaria já o apreço e a valoração suficientes para reconhecer que sua fundadora vela todavia pela obra e santifica suas filhas espirituais.

Nasceu em Poitiers (França), no dia 07 de maio de 1684, tendo sido batizada no mesmo dia.  Filha de uma família de oito filhos, recebeu sólida educação cristã, tanto no seio da família, quanto na escola. Francesa até a medula, catequizou em uma região sumamente católica, que pagaria em sangue o preço de sua fidelidade à religião durante a Revolução Francesa e o regime de Napoleão: A Vandée. Ali, os campesinos que haviam sido beneficiados com o apostolado de São Luis de Montfort e de Maria Luisa abnegadamente entregada aos enfermos de seu tempo, se levantariam em defesa do rei e da monarquia ainda que estes não soubesse valorizar este gesto de lealdade, irrebatível consequência do trabalho espiritual deste par de santos. Aos 17 anos, encontrou-se pela primeira vez com S. Luís Maria Grignion de Montfort, que acabara de ser nomeado como capelão do hospital de Poitiers. Sua fama de pregador e de confessor, já era notável entre a juventude daquela região.

Espontaneamente, Maria Luisa ofereceu seus serviços ao hospital.  Ela consagra uma boa parte de seu tempo, aos pobres e aos enfermos.  Diante da sua dedicação, São Luís prontamente a pediu para que ali permanecesse.  A este convite, Maria Luísa respondeu com sua entrega total. Mesmo não havendo posto vago para o cargo de governanta, aceitou ser admitida somente como simples colaboradora.

“Você voltará louca como este sacerdote”, lhe havia dito a sua mãe. “Que idéia, quando se é bela, jovem e de boa família, vestir um hábito cinza e passar seu tempo a  cuidar de vagabundos, enfermos e  empestados!  Que loucura seguir  este sacerdote louco!”

Durante dez anos, Maria Luisa desempenhou com a maior perfeição possível, seu humilde serviço de cuidar dos inválidos.  Nesta época, São Luís havia deixado Poitiers e Maria Luísa permaneceu à frente dos serviços.

Ali começou sua epopéia. Começou com a dor de ter que ver partir São Luis apenas uns meses depois de ela ter iniciado seu apostolado consagrado no hospital. Contudo, não desanimou. Anos inteiros só e apenas recebendo cartas de São Luis Grignión para alimentá-la espiritualmente foram dando pouco a pouco resultados que se manifestaram no reconhecimento que todo mundo fazia da caridade desta jovem mulher e e na chegada de duas companheiras que se uniriam a ela no duro e frequentemente ingrato trabalho de velar pelos enfermos e anciãos que maltratavam a suas samaritanas.

A célebre cruz que Montfort havia deixado, está colocada no centro do hospital.  Maria Luísa leva uma cruz sobre sua túnica cinza, porém, de todo o coração.  Com efeito, continua a realizar seu esgotador trabalho de cada dia, enfrentando a ausência pela diminuição do número de companheiras, além de sofrer dura perda do falecimento de suas irmãs e de seu irmão, jovem sacerdote morto por causa da peste, vitimado pela sua extrema abnegação.

Nesta fase deu-se o início da Congregação das irmãs “Filhas da Sabedoria”, em 1714 com a chegada da primeira companheira, Catarina Brunet e consolidada em 1715, com a fundação em La Rochele, com duas novas recrutas: Maria Regnier e Maria Velleau.

No ano seguinte (1716), morre prematuramente São Luís Maria de Montfort, com a idade de 43 anos.  Este fato, a princípio, desestabilizou a jovem congregação, abalada duramente por esta notícia, tanto dolorosa, quanto inesperada. Foi neste momento que, Maria Luísa, encontrou forças para reerguer o ânimo de todos, lembrando-se da frase escrita por São Luís: “Se não arrisca-se algo por Deus, nada de grande  se fará por Ele”.

Durante 43 anos Maria Luisa de Jesus, só, forma suas companheiras, conduz e desenvolve as fundações que se multiplicam: Escolas de caridade, visitas e cuidados aos enfermos, sopa popular para os mendigos, gestão de grandes hospitais marítimos na França.

Os pobres do hospital de Nior (Deux-Sèvres) a chamavam “A boa Madre Jesus”.  Nisto expressava-se tudo! Seu lema de vida era muito simples: “É necessário que eu ame a Deus ocultamente, em meu próximo” (Coro de um cântico composto por Luís Maria de Montfort, destinado às Filhas da Sabedoria).

Teve que haver muita fé e dedicação abnegada em Maria Luisa Trichet para que a obra se mantivesse e crescesse como a temos hoje. Quando ela morreu em Sant Laurent sur Sévre, em 28 de abril de 1759, providencialmente, morreu no mesmo dia que seu pai espiritual, a congregação contava com 175 religiosas, presentes em 36 comunidades, mais a casa da Madre.  Hoje, estão presentes em mais de 20 países, com o alto e inestimável padrão moral de haver deixado 33 religiosas mártires na Revolução Francesa. Beata Maria Luisa morreu aos 75 anos de idade cumprido em 1759, deixava uma grande obra com muitas irmãs professas e muitas postulantes e noviças.

Desde este momento, as Filhas da Sabedoria atravessaram os séculos arrebanhando milhares e milhares de vocações, pelo chamado à entrega total, pela loucura do Amor de Deus e dos pobres.   Hoje, elas estão presentes nos cinco continentes. São Luís Maria de Montfort e a Beata Maria Luísa de Jesus, descansam juntos, na Igreja paroquial de São Lourenço.

Em 16 de maio de 1993, Maria Luisa de Jesús (Trichet), foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em Roma.  O Santo Padre esteve, em 19 de setembro de 1996 em Saint Laurent sur Sévre, quando rezou junto às tumbas de São Luís e da Beata Maria Luisa.

 

Reflexão

 

Em sua Homilia de Beatificação, o Beato João Paulo II diz: “Quando uma pessoa torna-se totalmente disponível para o sopro de Deus, está envolvido em uma “aventura espiritual”, que desafia toda a expectativa humana. Sua mente se abre como uma vela ao vento do Espírito, e Deus pode empurrá-la de acordo com os misteriosos desígnios de sua misericórdia, providencial.

Maria Luísa de Jesus Cristo deixou tomar posse, ela procurou apaixonadamente a aliança da sabedoria humana racional com a Sabedoria Eterna. Essa ação foi apaixonadamente devotada aos mais pobres dos seus contemporâneos. A adoração da Sabedoria do Pai, no Filho Encarnado, ela sempre usava diariamente para servir aqueles que não têm nada para agradar aos olhos dos homens, mas ainda é muito caro em relação a Deus”.

Beata Maria Luísa Trichet, rogai por nós. Amém

 

Fonte:


http://www.paginaoriente.com/santos/crmlt.htm

http://gaudiumpress.org/content/33083

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1993/documents/hf_jp-ii_hom_19930516_beatificaz_it.html

Grifos Nossos

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: