Santa Madalena de Nagasaki

O cristianismo tinha florescido no Japão desde que o grande missionário jesuíta São Francisco Xavier pôs os pés no País do Sol Nascente, em 1549. Desde então a fé deixou profundas raízes, e outras ordens religiosas chegaram e se instalaram. Os primeiros agostinhos chegariam por volta de 1612. Mas aqueles tempos já não eram bons: o regente e ditador Tokugawa Yeyasu, budista, decretava em 1614 uma perseguição total contra os cristãos. Com seus sucessores essa perseguição tornou-se ainda mais virulenta e cruel, a ponto de, em poucos anos, foi exterminada a cristandade do Japão até o séc. XIX.

Infância

Sua infância coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os católicos. Madalena nasceu entre 1611 e 1612, em uma aldeia próxima de Nagasaki, no Japão. Desde cedo ela recebeu esmerada educação. Os antigos manuscritos relatam que ela era uma jovem graciosa, delicada e bela. Seus pais eram católicos de nobre linhagem.

Os pais e irmãos de Madalena foram martirizados quando ela era ainda pequena. Ela certamente foi também testemunha da morte de muitos outros católicos. É provável que tivesse lido o livro “Exortação ao martírio”, que circulava clandestinamente entre os católicos. Neste livro davam-se conselhos para resistir à ira dos tiranos e eram lembrados os exemplos de crianças frágeis, além de jovens, homens e mulheres, que sofreram com paciência os mais terríveis suplícios por causa da sua fé em Jesus Cristo, recebendo assim a glória do martírio.

A oração, a leitura dos livros sagrados e o exemplo de tantos mártires, compatriotas seus, foram fortalecendo o ânimo de Madalena.

Por volta de 1624, chegaram a Nagasaki dois zelosos missionários agostinianos: Frei Francisco de Jesus e Frei Vicente de Santo Antônio. Ambos criaram a Ordem Terceira Agostiniana Recoleta para auxiliá-los no apostolado. Formada por leigos, a Ordem Terceira, hoje denominada Fraternidade Secular, ficava encarregada da catequese.

Atraída pela profunda espiritualidade dos dois missionários, Madalena se consagrou a Deus como Terceira Agostiniana Recoleta, sendo uma das primeiras a entrar para aquela Ordem. Começou o seu apostolado com tanto carinho e abnegação, que foram incontáveis os pagãos que se converteram ao Cristianismo.

Ela consolava os aflitos, animava os fracos, fortalecia os que fraquejavam por causa das perseguições, apoiava os corajosos e esforçados, dava catecismo para as crianças, e arrecadava esmolas para os pobres entre os comerciantes portugueses. Fez várias amigas entre as filhas dos ocidentais que moravam em Nagasaki, as quais muito se edificavam com as suas virtudes, tendo algumas delas relatado suas impressões e lembranças para os primeiros biógrafos da Santa.

Perseguição

Em 1628 a perseguição ficou mais violenta. Como quase todos os católicos de Nagasaki, Madalena se viu obrigada a refugiar-se nas montanhas. Homens e mulheres virtuosos viviam nas grutas e se alimentavam de ervas silvestres. Ali vivia ela na companhia dos demais, amada e querida de todos, mesmo dos pagãos. Partilhando dos sofrimentos e das agonias dessa comunidade, encorajava-os para que se mantivessem fortes na fé, e recolocava no caminho do Evangelho aqueles que tinham renegado Cristo sob tortura. Levava consolo para os doentes e ainda batizava as crianças.

Os santos religiosos, Frei Francisco e Frei Vicente, também viviam nas montanhas zelando pelas almas e oferecendo-lhes o conforto dos Sacramentos. Entretanto, ambos foram detidos e passaram vários dias na prisão antes de serem queimados vivos no dia 3 de setembro de 1632.

No dia seguinte, chegaram ao Japão outros dois missionários agostinianos recoletos, Frei Melquior de Santo Agostinho e Frei Martinho de São Nicolau. Estes também foram presos no dia 1° de novembro de 1632 e no dia 11 de dezembro foram queimados vivos a fogo lento, tal como havia acontecido com os Bem-aventurados Francisco e Vicente.

Após a morte desses religiosos, Madalena permaneceu nas montanhas cerca de dois anos dedicando-se ao apostolado, batizando, aconselhando, consolando e fortalecendo os que a procuravam. Numerosos foram os católicos que preferiram morrer a renegar a fé. Infelizmente, muitos também foram os que fraquejaram e apostataram diante do horror dos suplícios.

Desolada e triste pela apostasia destes irmãos e desejosa de sofrer o martírio, Madalena acreditou ter chegado o momento de apresentar-se aos juízes e torturadores para dar exemplo vivo aos católicos.

Firmeza na Fé

Diante da grande renúncia da fé pelos cristãos, aterrorizados com as torturas a que eram submetidos se não a fizessem, e ansiando por unir-se para sempre a Cristo, Madalena decidiu enfrentar os perseguidores. Vestida com o hábito, em setembro de 1634 apresentou-se aos juízes. Levava consigo apenas a Bíblia, para pregar a palavra de Jesus e meditar no cárcere. Os magistrados, admirados com sua beleza e juventude e informados que ela possuía sangue nobre, fizeram-lhe promessas de vida confortável com um vantajoso casamento. Madalena não cedeu, mesmo sabendo das horríveis torturas que sofreria.

Martírio

Depois de sofrer vários tipos de torturas sem perder a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, Madalena foi tirada da prisão no início de outubro de 1634, e com outros dez católicos foi levada ao lugar do martírio.

Suspensa pelos pés, com a cabeça e o peito imersos num poço, durante o suplício a corajosa jovem invocava os nomes de Jesus e Maria, e cantava hinos ao Senhor. Ela resistiu ao tormento por treze dias. Na noite do 13° dia, o poço foi inundado por uma tempestade e Madalena morreu afogada. Tinha então 22 ou 24 anos de idade.

Depois de morta seu corpo foi queimado, e as cinzas foram espalhadas nas águas do mar, a fim de que suas relíquias não caíssem nas mãos dos fiéis. Seu martírio deu-se em meados de outubro de 1634.

Beatificada em 1981, foi declarada Santa por João Paulo II em 18 de outubro de 1987. Santa Madalena de Nagasaki é comemorada no dia 20 de outubro.  A Ordem Agostiniana a comemora no dia 19 de novembro.

Reflexão

Assim como o Sangue do Cordeiro nos deu vida nova e fez nascer à Sua Santa Igreja, o sangue dos imitadores de Cristo, os mártires, à renovam a cada dia, em todas as partes do mundo. Santa Madalena deu seu sangue em nome da Única e Verdadeira Igreja de Cristo para que no Japão não morresse a semente do Evangelho. Que seu exemplo nos dê força para termos a mesma coragem nos momentos que virão. Santa Madalena de Nagasaki, rogai por nós. Amém

Fonte:

http://www.jap-osa.com

http://www.domtotal.com/religiao/meu_dia_com_deus/santo_dia

http://heroinasdacristandade.blogspot.com/2011/10/santa-madalena-de-nagasaki-jovem-martir.html

Grifos Nossos

  1. Arcangelo Venturim
    18/10/2012 às 17:47

    Não conhecia essa santa de nossa maravilhosa Igreja.É por causa disso que amo minha Igreja. Homens e mulheres derramaram seu sangue em testemunho de sua fé. Sou feliz por ser Católico.

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