São Peregrino

São Peregrino nasceu na agitada cidade de Forli, na Itália, isto em 1274. A fama deste santo, antes de sua conversão era chamado de furacão, pois idealista chamava a atenção de muitos.

Em 1292, o papa Martinho IV enviou a Forli um santo frade de nome Filipe Benizi, então prior geral da Ordem dos Servos de Maria. Era sua missão pregar a paz e reconduzir os habitantes da cidade à concórdia e à obediência papal. São Filipe já cumprira com êxito idênticas missões em Bolonha, Florença e Arezzo. Forli, porém, foi bem menos acolhedora. Enquanto São Filipe pregava ao povo com sua palavra inspirada, um bando de fanáticos, entre os quais o jovem Peregrino, então com 18 anos, prorrompeu em gritos e vaias contra o santo homem. Bateram nele e o expulsaram da cidade. Mais tarde, Peregrino, arrependido do que fizera, correu ao encalço do santo homem e pediu-lhe perdão. São Filipe acolheu-o afavelmente e deu-lhe o perdão em nome do Senhor Jesus.

Deste momento em diante iniciou uma conversão radical. Peregrino, de furacão descontrolado, passou com a graça de Deus, a um furacão espiritual que chegou a entrar na Ordem dos Servitas e se destacar pela fidelidade na vivência da regra e do Evangelho de Cristo, desta forma, cresceu na santidade que o levou para o céu com 80 anos.

Vocação de Peregrino

Alicerçando neste firme e santo propósito, certo dia, entrou na igreja de Santa Maria da Cruz.

Permaneceu longamente em oração diante da imagem da Virgem Maria, suplicando-lhe que se dignasse mostrar-lhe o caminho da salvação.

De repente, apareceu-lhe visivelmente a santa Virgem, ornada de vestes ricas e festivas, que assim lhe falou: “Meu filho, eu também desejo guiar os teus passos nos caminhos da salvação”.

Enquanto meditava em seu coração por qual motivo a Virgem Maria, tão ricamente vestida, lhe teria falado tão prontamente, Peregrino, simples como uma pomba, temeu estar sendo induzido ao erro pelo enganador e inimigo do gênero humano.

Vendo-o titubeante e assustado, a Virgem voltou a falar-lhe com mais ternura ainda: “Não tenhas medo, filho. Eu sou a mãe daquele que tu adoras na cruz, e por ele fui enviada para mostrar-te o caminho da felicidade eterna”.

A essas palavras, Peregrino respondeu: “Eis-me aqui.

Estou pronto para obedecer às tuas ordens.

Acima de qualquer coisa, sempre desejei executar fielmente o que ordenares.

Ordena, pois, ó Rainha.

De minha parte, cumprirei de boa vontade a tua vontade”.

A gloriosa Senhora então lhe perguntou: “Conheces os religiosos chamados Servos de Maria?”

Peregrino respondeu: “Lembro-me de ter ouvido muitas pessoas falar deles, com elogios à sua Ordem e à sua santa vida; mas não sei onde moram”.

Ele assim falava porque não havia então em Forli nenhum convento dos Servos da Virgem Maria.

Disse-lhe então a Virgem: “Tu te chamas Peregrino.

Pois bem, serás peregrino de nome e de fato.

É preciso que vás à cidade de Sena.

Aí, chegando encontrarás estes santos homens em oração.

Insiste com eles para que te recebam em seu convívio”.

Peregrino ingressa na Ordem dos Servos de Maria

Ouvindo isso, Peregrino pôs-se logo a caminho, acompanhado por um anjo, e chegou a Sena.

Foi ao convento e bateu à porta.

O frade porteiro, de venerando idade, abriu e perguntou: “A quem procuras?”

E logo acrescentou que nessa hora os frades estavam guardando o silêncio prescrito.

Enquanto o porteiro assim falava, Peregrino, vencido pelo cansaço, atirou-se aos pés do bom velhinho, suplicando que não lhe fechasse a porta, principalmente porque tinha alguns segredos para contar ao prior.

Ao ouvir isso, o porteiro o fez entrar e, terminado o tempo de silêncio, conduziu-o à presença do prior.

Este, depois de examiná-lo de alto a baixo, perguntou-lhe finalmente de que cidade era.

E Peregrino respondeu: “Sou de Forli”.

Depois, tendo-se inteirado do que se tratava e conhecido o propósito de Peregrino, o prior e seus confrades, que a esta altura se encontravam reunidos, convenceram-se facilmente que ele lhes fora enviado pela Virgem Maria.

Consideraram o fato como um milagre da Virgem, que costuma iluminar os seus devotos e, com grande solicitude, os tona participantes da sua bem-aventurança.

Por isso, estando todos de acordo, acolheram-no de bom grado e o vestiram com o santo hábito que recorda a viuvez da Virgem Maria.

Terminado o rito, uma auréola luminosa envolveu-lhe a cabeça, como prova de que ele haveria de guardar íntegras a castidade, a obediência e a pobreza, mantendo-se fiel até o fim ao compromisso que havia professado.

Aos trinta anos de idade, era para todos o exemplo de vida santa.

Exemplo de Penitência

Depois, por ordem do superior, voltou para Forli, sua cidade natal, para pôr fielmente em prática a lei do Senhor.

Domava de maneira extraordinária o corpo com vigílias, jejuns e cilícios.

Parece incrível, mas por trinta anos nunca foi visto sentar-se.

Comia sempre de pé e rezava ajoelhado.

Vencido às vezes pelo cansaço ou pelo sono, apoiava por algum tempo a cabeça numa pedra ou, se estivesse no coro, no banco.

Durante a noite, não se deitava: passava o tempo rezando hinos e salmos.

Meditava sem cessar a lei de Deus.

Empenhava-se com todas as forças para imitar os exemplos de Cristo.

Todos os dias fazia o exame de consciência de suas ações, chorava as ofensas e os erros que acreditava ter cometido e contava-os ao confessor com lágrimas nos olhos.

Movido pelo desejo ardente de observar integralmente a lei divina, o santo homem de muitas coisas se recriminava.

Vítima de uma chaga incurável

Deus, grande e misericordioso, que costuma pôr à prova os seus filhos para robustecer, pela provação, os que ardem de desejo pelo amor sobrenatural, mandou a Peregrino uma doença muito grave.

Um inchaço numa perna provocou-lhe a erupção de uma chaga infecciosa.

Todos que o visitavam por dever não conseguiam conter as lágrimas.

À chaga e ao inchaço da perna juntou-se a terrível doença conhecida pelo nome de câncer, que exalava um mau-cheiro insuportável para os que o assistiam e para ele próprio.

Por isso, passou a viver isolado dos confrades.

Era visto pelo povo com um novo Jó, tão graves eram as suas dores e sua debilidade física.

No entanto, apesar de encontrar-se nessa situação, não se queixava da sorte, mas suportava a enfermidade e o sofrimento com ânimo forte, confiante na palavra do Apóstolo que diz: “Quando sou fraco, então é que sou forte”.

Jesus Crucificado cura Peregrino

O médico Paulo Salaghi, que lamentava profundamente a doença de Peregrino, fez-lhe uma consulta.

Examinou cuidadosamente a perna para avaliar a gravidade do mal.

Por fim, com o consentimento de todos, chegou à conclusão que de nada adiantavam os remédios e que, com o passar dos dias, a chaga se propagaria até contaminar toda a perna, se esta não fosse amputada.

Foi isso que se decidiu fazer, pois todos concordavam que era preferível sacrificar um membro a deixar perecer todo o corpo.

Na véspera do dia marcado para a operação, durante a noite, depois de refletir longamente sobre a decisão tomada, Peregrino resolveu apelar a Jesus Cristo, seu Salvador.

Com as forças que lhe restavam, arrastou-se sozinho até à sala capitular, onde havia uma imagem do Crucificado.

Aí chegando, pôs-se a rezar:

Oh! Redentor do gênero humano, para apagar os nossos pecados, aceitaste ser submetido ao suplício da cruz e a uma morte atroz.

Quando estavas neste mundo, no meio dos homens, curastes muitas pessoas de toda a sorte de doença.

Purificaste o leproso (Mt 8,2), devolveste a vista ao cego que suplicava: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!.

Digna-te, pois, Senhor meu Deus, livrar a minha perna deste mal incurável.

Se não o fizeres, será preciso amputá-la.

Enquanto rezava, atormentado violentamente pela dor, acabou adormecendo.

No sono, viu Jesus descer da cruz e curar a perna, apagando qualquer vestígio da doença.

Ao acordar, deu-se conta que perna estava curada e tão robusta como se jamais tivesse estado doente.

Deu então graças ao Deus misericordioso por tão grande Dom e voltou para a sua cela.

Ao clarear o dia, chegou o médico com os instrumentos e as pomadas, necessárias para a operação.

Peregrino então lhe disse: “Ó tu que vieste operar-me, pode voltar para casa.

O médico que me curou totalmente assim me falou: “Sou que dou aos homens a saúde e a doença e as retiro deles.

Sou eu que cuido da alma e do corpo.

Devolvi a vista aos cegos, limpei os leprosos, curei os paralíticos e ressuscitei os mortos.

Nenhuma fadiga, nenhum opróbrio, nem sequer a morte mais atroz recusei pela vossa salvação”.

Aquele que assim me falou, ele mesmo, o Príncipe dos Médicos, curou-me totalmente”.

Ao ouvir essas palavras, o médico pensou que Peregrino estivesse delirando devido às fortes dores que sofria e disse: “Mostra-me a perna, para que eu possa livrar-te desta chaga que ameaça contagiar todo o teu corpo”.

Mas Peregrino respondeu: “Médico, cura a ti mesmo! Não preciso mais dos teus serviços.

O Príncipe dos Médicos e autor da salvação humana, com o seu poder, afastou de mim toda enfermidade”.

E, mostrando a perna, acrescentou: “Olha e vê que grande médico eu tive!” O doutor ficou sobremodo estupefacto ao ver a perna limpa e robusta, sem qualquer vestígio da chaga e do tumor maligno.

Voltou-se então para os presentes e exclamou: “É um milagre!”

Ao sair, pôs-se a contar a todos que encontrava no caminho o grande prodígio que Deus havia feito em favor do seu servo, e divulgou o fato por toda a cidade.

A notícia deste evento singular espalhou-se rapidamente por toda a parte, suscitando grande veneração de todos pelo amigo de Deus Peregrino.

Fortalecido mais ainda por esses fatos, com todas as forças, ele continuou firme no caminho do Senhor, anelando às alegrias eternas preparadas para todos os que observam os salutares preceitos divinos.

Morte de Peregrino

Peregrino morreu com a idade de quase oitenta anos, era o dia 1 de maio de 1354, vítima de febre alta.

Sua alma foi levada às honras do reino celeste pela Virgem Maria e pelos bem-aventurados Filipe de Florença e Francisco de Sena, ambos da mesma Ordem.

Após a morte, do seu corpo inanimado fluía um suavíssimo perfume, de tal sorte que os presentes sentiram-se sobremodo admirados diante dessa fragrância extraordinária.

Enquanto a morada corpórea de sua alma já triunfante, segundo costume, jazia deitada no caixão, exposto no coro da igreja, a notícia de sua morte chegou ao conhecimento de todos os habitantes da cidade, como se houvesse sido anunciada por mensageiros.

Todos queriam ver as santas relíquias expostas no coro da igreja.

De todas as partes e por todas as portas da cidade acorriam os habitantes do condado, atraídos pela fama do servo de Deus.

Naquela noite, devido à grande afluência de gente, não foi possível fechar as portas da cidade.

Ao bem-aventurado Peregrino não faltou a confirmação celeste de sua santidade por meio dos milagres.

Um cego recupera a vista

Enquanto o corpo do bem-aventurado Peregrino jazia exposto no coro da igreja, um pobre homem, mendigo e cego, aproximou-se timidamente do caixão e pôs-se a implorar do fundo do coração que lhe fosse devolvida a vista.

Oh! infinito poder e graça de Deus que se manifesta nos seus servos! De repente, diante da multidão estupefacta, o bem-aventurado Peregrino levantou-se do caixão onde jazia e traçou o sinal da cruz sobre o cego.

Logo caíram-lhe dos olhos umas escamas e o que fora cego começou a gritar exultante de alegria, mostrando a todos que estava enxergando.

Depois de agradecer muito a Deus e ao bem-aventurado Peregrino, foi embora feliz.

Uma mulher libertada do demônio

Um dentre os piores diabos ou talvez uma legião deles se haviam apoderado de uma mulher da cidade.

Dominada pelo furor, ficava tão feroz que ninguém conseguia segurá-la, nem amarrando-a a um tronco, nem com correntes.

Era dotada de uma força sobre-humana tal que conseguia romper qualquer tipo de amarra e desvencilhar-se.

Tendo-se espalhado pela região a fama dos milagres do santo, seus familiares arrastaram-na até o caixão do bem-aventurado Peregrino, exposto na igreja.

Ao tocar o caixão, o espírito maligno, com grande alarido, afastou-se dela.

Os que aí estavam viram sair da boca da mulher toda sorte de animais e ouviram estas palavras: “Tuas preces, Peregrino, me causam tormentos atrozes!”

A mulher, liberada totalmente do domínio do diabo, agradeceu muito a Deus e ao bem-aventurado Peregrino.

Depois, alegre, voltou para casa com os seus.

Cura de um homem caído de uma árvore

Certo homem precipitou-se do alto de uma árvore muito alta e caiu estatelado no chão.

Na queda, ficou gravemente ferido, com as vísceras expostas, de tal sorte que já não havia nenhuma esperança de vida para ele.

Mas, por intercessão do bem-aventurado Peregrino, recuperou totalmente a saúde.

Sentindo-se curado, agradeceu com devoção.

No ano de 1726 a Santa Sé aprovou três milagres operados pela intercessão de São Peregrino: a cura de um menino paralítico; a cura de uma religiosa e de um sacerdote, ambos vítimas de câncer.

No mesmo ano, o papa Bento XIII elevou Peregrino à glória dos altares, declarando-o santo.

Seu corpo, até hoje incorrupto, é venerado na basílica dos Servos de Maria, de Forli.

Reflexão

Maria foi o caminho escolhido por Nosso Senhor para se revelar inteiramente à São Peregrino. Ela mesma o disse que havia sido enviada por seu Divino Filho para lhe indicar o caminho da felicidade eterna. Que neste mês de maio, dedicado à Santíssima Virgem, que possamos à Ela recorrer como filhos diletos seus, lhe implorando a mesma graça de ser para nós, a porta para o Paraíso Celeste, onde juntamente com São Peregrino, São Luís Maria Grignon de Montfort e o grande Beato João Paulo II, servos tão amados seus, iremos Louvar e Adorar a Santíssima Trindade eternamente. São Peregrino, rogai por nós.

Fonte:http://portalcot.com/br/blog/voce-conhece-a-historia-de-sao-peregrino

Grifos Nossos

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