“O amor cristão é concreto e generoso, não é como aquele das telenovelas

ppfrancisco150313HRoma, 09 de Janeiro de 2014 – O amor cristão ou é altruísta, generoso, alegra-se “mais em dar do que em receber “, ou, é um amor “romântico”, de telenovela. Não é brincadeira: o argumento levantado pelo Papa Francisco na missa em Santa Marta é rigoroso. O amor cristão tem sempre uma característica: a concretização. O amor cristão é “concreto”, diz o Papa, guiado em sua reflexão por São João, na primeira carta, ele reitera várias vezes: “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e o amor Dele é perfeito em nós”.

É neste “permanecer duplo” de “nós em Deus e Deus em nós”, que reside a “vida cristã” e a experiência de fé. Não “no espírito do mundo” ou “na superficialidade, na idolatria, na vaidade”, adverte o Santo Padre. É fundamental “permanecer no Senhor”, e Ele “corresponde-nos: Ele permanece em nós”, por iniciativa própria. Mesmo quando – afirma Francisco – “muitas vezes nós o expulsamos”, nós “não podemos permanecer Nele”, resta ainda “o Espírito”.

Este “permanecer no amor de Deus” – esclarece o Papa- não tem apenas uma dimensão espiritual, mas também se traduz na “carne”, em ação concreta. Não se limita a um êxtase do coração ou a algo agradável de se ouvir. “Observem que amor de que nos fala João não é o amor das telenovelas! Não, é outra coisa”, reitera firmemente o Papa.

“O próprio Jesus – continua Bergolgio – quando fala sobre o amor, nos fala de coisas concretas: alimentar os famintos, visitar os doentes”, e assim por diante. Se no amor não há a “concretude cristã” – disse o Papa – arrisca-se “viver um cristianismo de ilusões, porque não está claro qual é o centro da mensagem de Jesus”. É um “amor de ilusões”, como aconteceu aos discípulos quando – diz o Evangelho de hoje – ficaram perturbados ao ver Jesus andando em direção a eles sobre o mar: “Eles pensavam que fosse um fantasma”.

O estupor dos Apóstolos – destaca o Santo padre – “vem da dureza de coração”, porque “eles não entenderam” a multiplicação dos pães ocorrida pouco antes, como afirma o Evangelho. “Se você tem um coração endurecido, você não pode amar, e você acha que o amor é imaginar coisas”- exorta Francisco.

Então, para medir a concretude do amor cristão, devemos refletir sobre dois aspectos. Primeiro: “Amar com as obras, não com as palavras. As palavras são levadas pelo vento! Hoje estão e amanhã não estão mais”- disse o Pontífice. Segundo: “No amor é mais importante dar do que receber. Quem ama dá, dá, … Dá coisas, dá vida, dá -se a Deus e aos outros. Ao contrário, quem não ama, quem é egoísta, busca sempre receber, tenta sempre ter coisas, levar vantagem”.

A “moral” da homilia de hoje do Papa Francisco é, portanto, clara: “Permanecer com o coração aberto, não como era aquele dos discípulos, que era fechado, eles não percebia nada: permanecer em Deus e Deus em nós; permanecer no amor.”

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/o-amor-cristao-e-concreto-e-generoso-nao-e-como-aquele-das-telenovelas

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